quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Da Bobadela à Amadora ... pelas águas de Caneças

Amadora, actualmente cidade, actualmente sede de Concelho. Terra natal do meu pai. Terra da minha infância e adolescência, onde morei desde que me lembro de existir ... até o destino me trazer uma estrela arraiana... 😊. Se já fui a pé da Bobadela a Santa Cruz, a Santarém e a Fátima ... porque não ir a pé da Bobadela à Amadora?
Portela da Azóia, 6.12.2017, 7h45 - Frente ao Pico da Aguieira
Com esta ideia em mente e na perspectiva de um almoço com o progenitor - à beira dos 93 anos - desenhei um percurso que fosse o menos possível urbano ... o que à volta da capital claro que não é fácil. Teria de começar por subir para noroeste, rodeando a várzea de Loures, para rumar depois a oeste e sul, por Caneças e a Ribeira de Carenque. Uns 23 a 25 km numa primeira versão; mas passar por Caneças e não ver as suas famosas fontes seria um "crime", pelo que teria de entrar pelo lado norte da aldeia das lavadeiras. Esta e outras alterações ao plano inicial fizeram que a previsão rondasse os 29 km ... que acabaram por ser 31... 😋

A caminho de Santo Antão do Tojal, 8h20 ... há sombras na paisagem...
Ao desafio tinha respondido o "Mano" Zé Manel. Tínhamos saído da Bobadela às 7 horas em ponto e uma hora depois estávamos a descer para as ruínas do Palácio do Monteiro-Mor, na várzea do Trancão ... e no Caminho de Fátima / Santiago. Mas o rumo era para ocidente, para o Tojal e Loures.

Uma guarda de honra de canavial...
E em Loures o "mano" Zé Manel delicia-se com os grafitis
Entrámos em Loures pelo Shopping, na Quinta do Infantado. Atravessada a cidade, a parte mais bonita da travessia ia começar junto à Igreja Paroquial, subindo a Quinta do Correio-Mor em direcção ao cabeço de Montemor. A primeira paragem propriamente dita foi aliás à vista de uma panorâmica que se estendia pelo vale de Loures, até ao Cabeço de Montachique e à serra do Serves, com o viaduto da CREL aos nossos pés.
Quinta e Palácio do Correio-Mor
O vale de Loures e o viaduto da CREL, com o Cabeço de Montachique ao fundo
A norte do geodésico de Montemor e praticamente à mesma altitude (320m), entrámos num fabuloso trilho, por entre carvalhos e medronheiros, que nos iria conduzir até já próximo de Caneças e da famosa Quinta da Fonte Santa. Ali ... até esquecemos a seca prolongada que o país tem vivido.

Através do paraíso ...
... com o Cabeço de Montachique sempre ao fundo ...
... dir-se-ia que estávamos noutras paragens bem mais distantes da grande urbe!
E ... entramos em Caneças: lavadouros públicos na aldeia das lavadeiras
As águas de Caneças foram sempre famosas pela sua qualidade. Recomendadas como tónicas e reconstituintes, a partir de meados do século XIX começaram a ser frequentes os aguadeiros, que enchiam de água as típicas bilhas de barro e as faziam transportar até à capital, que nesse tempo sofria de enormes carências do precioso líquido; a construção do Aqueduto das Águas Livres não tinha resolvido totalmente a crónica falta de água em Lisboa. Já no século XX, desenvolveu-se em Caneças uma indústria de águas de mesa de uma certa importância económica; e a que sobrava era utilizada na agricultura ou na outra actividade tradicional da zona: as lavadeiras de Caneças.

Caneças: Fonte dos Passarinhos
As águas de Caneças que não haviam sido encaminhadas para os aquedutos subsidiários do Aqueduto das Águas Livres foram encaminhadas para fontes, cuja exploração comercial se iniciou em 1910. Eram cinco essas Fontes de Caneças, das quais visitámos duas nesta jornada da Bobadela à Amadora: a Fonte dos Passarinhos e as Fontainhas. A primeira está infelizmente num certo abandono, votada ao esquecimento no interior de uma propriedade privada. A segunda, pelo contrário, está bem enquadrada num aprazível parque de merendas, patenteando orgulhosamente nove painéis de azulejos que ilustram as típicas actividades económicas ligadas à água, na aldeia saloia de Caneças.

Fontes de Caneças:
Fontaínhas
E de Caneças ... seguimos em direcção à Ribeira de Carenque e ao Aqueduto das Águas Livres, que precisamente recolhia as águas das nascentes da zona de Caneças, Casal de Cambra, Belas e outras. A partir da Quinta das Águas Livres e da Barragem Romana de Belas, o percurso foi o mesmo de uma caminhada realizada há quase 4 anos, Nos passos do Aqueduto.

O Aqueduto das Águas Livres na Ribeira de Carenque e Barragem Romana de Belas
À uma da tarde estávamos a passar sob o viaduto da CREL, em Carenque. Restava-nos entrar na Amadora ... e ir ao encontro do meu pai, que nos aguardava para almoçar, no simpático restaurante "Historial", na Reboleira. 31 km percorridos em 7 horas de caminhada, por dois peregrinos que, desta vez ... atravessaram os campos da Bobadela até à Amadora.

A CREL e o Aqueduto das Águas Livres, na zona de Carenque
Parque Delfim Guimarães, na Amadora ... e a jornada estava quase no fim
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sábado, 2 de dezembro de 2017

"Montanha russa", nas encostas de Montejunto

Depois de um acampamento nos meus "anos loucos" de há quase meio século, poucas "aventuras" por fragas e pragas tenho dedicado à Serra de Montejunto; um fim de semana há 4 anos e um regresso um ano depois foram as únicas incursões na mais alta serra da Estremadura.
Próximo do Centro de Interpretação, 02.12.2017, 9h10
Voltei lá, pela mão dos "Novos Trilhos" ... para uma jornada de autêntica "montanha russa" 😋! Aliás, o desafio lançado para este primeiro sábado de Dezembro não enganava: "Parte do centro de interpretação, sobe ao ponto mais alto com visita às ruinas do convento, desce para a encosta sul, contorna a serra e sobe para o topo e desce novamente para noroeste até ao Castro de Pragança; depois, subida íngreme para o miradouro da Penha do Meio Dia e regresso ao início (Caminhada de grau 4/4+)."
E assim, às nove da manhã lá estávamos a partir do Centro de Interpretação Ambiental. E num belo sábado de Sol, com uma visibilidade que por vezes se estendia dos campos adjacentes da Ota às distantes serras da Arrábida e de Sintra, a sul, ao mar e às Berlengas, a oeste, até ao maciço de Aire e Candeeiros e à longínqua serra da Lousã ... lá fomos subindo e descendo ... descendo e subindo.


Primeira subida, rumo ao cume da Serra ...
(Foto da direita: Hélder Carvalho)
... e ao que resta do Convento dos Dominicanos, a 638 metros de altitude
Descida da encosta sul da serra, sobre Cabanas de Torres. Ao fundo, percebia-se a Serra de Sintra e o mar
Ao fundo, o Monte Redondo ...
... e as planuras da Ota
Pouco depois das dez estávamos sobre a aldeia de Cabanas de Torres e começámos a contornar a serra para leste e nordeste. Junto à antiga casa florestal de Casais da Pedreira fizemos a primeira paragem - o chamado banana time... 😃. E como tudo o que se desce sobe-se ... começámos a prolongada subida do trilho da falha, também conhecido por trilho dos esses.

Rumo à encosta norte e à aldeia de Pragança
Horas de almoço, no Castro de Pragança (Foto: Hélder Carvalho)
Descoberto em 1893, o Castro de Pragança situa-se no sítio do Picoto, na vertente NNW da serra. Vestígios encontrados na zona indicam tratar-se de um povoado ocupado desde o neolítico final, passando pelas idades do cobre, bronze e ferro, e finalmente romanizado, com sinais de ocupação até ao século I. Para nós, foi o local escolhido para o almoço ... a que se seguiu a vertiginosa subida para a Penha do Meio Dia. Às duas da tarde estávamos lá. Mais meia hora e, com 17 km percorridos, voltávamos ao ponto de partida, junto ao Centro de Interpretação Ambiental.

Subida de Pragança para o geodésico e torre de vigia da Penha do Meio Dia (574 m alt.)
E ... de regresso ao ponto de partida e aos carros
Foi sem dúvida uma bela "montanha russa" em terras de Montejunto, neste belíssimo sábado em que o Sol só faz pena pela falta que a chuva continua a fazer, neste Outono que já é quase Inverno. A altimetria registou 930 metros acumulados, o que, não sendo extraordinário ... ficou bem registado no respectivo gráfico altimétrico. Uma caminhada bem à maneira ... dos "Novos Trilhos".
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(Foto: Isaura Tavares)